Vi ontem um filme de super-heróis. O "Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado".
Bom, como começar?...
O Quarteto Fantástico já tem muito que se lhe diga.
O próprio Sr. Fantástico, que parece um amigo meu (estica-se muito): Ora o homem estica, e tal, porque apanhou com raios cómicos, perdão, cósmicos nos cornos. O que já de si traria de certeza um cancro mortal em dois minutos ou qualquer outra fatalidade radioactiva, a ele fê-lo esticar. Até aqui tudo bem, um gajo deixa passar. Mas depois vêm os pormenores. O que estica é ele, não é a roupa que ele usa... Então quando ele está vestido à civil, a roupa normal também estica com o corpo? Quando ele tem aquele fato másculo, viril, de licra ou lá o que é aquilo, ainda se entende: "Ah, e tal, o fato foi feito para ele, pela mesma modista que fez o do Super-Homem, e foi preparado para esticar." Mas a roupa normal... Digamos que já é esticarem-se na história.
Depois temos o não menos contraditório Tocha Humana. Ele pega fogo e voa. Portanto, o senhor pega fogo e voa. Meus amigos escritores de banda desenhada dos anos 40, se ainda estão vivos (o que não me parece viável), atentem no seguinte: Porque é que pegar fogo faz voar? Eu não vejo as florestas e os bosques portugueses a voar. E nem precisam de raios cósmicos para pegar fogo... E claro está, a roupa. Eu começo a achar que a roupa foi um pormenor ao qual nem sequer deram a mínima atenção enquanto escreviam estas histórias. Então a roupa não arde?! Não arde?! E logo roupinha de licra?! Era aproximar-lhe um zippo mais quente que era vê-la desaparecer, quanto mais um gajo a arder lá dentro.
Bom, este é o meu preferido. O Calhau Andante, ou como lhe chamam no filme, A Coisa. A Coisa até que não é um nome mal pensado para aquela criatura, mas do ponto de vista de um Super-Herói, convenhamos, não estão a ver ninguém a gritar: "Meu Deus o que é aquilo? Será uma montanha? Não! Será um penedo? Não! Será o cérebro do José Sócrates a andar sozinho? Não! É a... o... a... Coisa...". Pois não faz sentido. E depois, o coitado é todo de pedra. A pedra não é flexível. O que é que ele tem nas articulações? Betume? Não será que faria faísca ao andar? Sim, porque já se sabe que esfregar duas pedras pode criar faíscas. E lá está, a roupa... Tentem fazer uma pedra entrar numa peça de roupa, tipo umas calças ou uma camisa...
Finalmente, a gaja. Boa, claro. Primeiro, não há cientistas boas. Por isso é que são cientistas. Como não eram boas e não perdiam tempo com gajos, estudavam. Por isso chegaram a cientistas. Segundo, logo a gaja boa é que fica invisível?! E cria campos de força... Caros leitores... leitor...ergh...bom, mãe, isso já as mulheres fazem todas, criar campos de forças que nos impedem de lhes chegar. Qual é o super-poder? E sim, adivinharam, a roupa... Então a roupa também fica invisível? Quer dizer, se a roupa ficasse e ela não, um gajo agradecia, agora as duas coisas não faz sentido.
Agora, o que realmente é no mínimo estranho, é o último gajo do filme... O Surfista Prateado. Mas quem, quem, Senhor, faz de um surfista um gajo com super-poderes? E prateado. Ainda se fosse "O Surfista Oxigenado", "O Surfista Com Cera de Pranchas no Cabelo", ou vá, em último caso, "O Surfista Que Para Aparecer e se Tornar Conhecido Andou a Papar a Elsa Raposo e Depois Já à Espera de Levar Uma Bela Parelha de Cornos Resolveu Começar a Papar a Cinha Jardim e Cagou Na Outra", ainda era um nome aceitável. Queres ver que a seguir vem o "Bodyboarder Dourado"? Ou o "Kitesurfer de Platina"? Não, é que se é só escolher gajos dos desportos ditos radicais para ser Super-Heróis, então vamos para coisas a sério: "O Skater Fantasma", "O Base-Jumper do Inferno" e porque não "O Forcado Maravilhoso" (sim, porque se enfrentar um boi de seiscentos quilos não é um desporto radical, não é com certeza o snowboard).
Logo aqui há uma enorme disfunção na escolha do herói. Um surfista? Como é que ele abordaria os outros? Tipo: "Bacano, vou-te dropar todo!", ou "Man, qual é a tua, tás armado em haole?!"?
Outra coisa que me confunde neste tipo de filmes é o facto de os heróis não co-existirem. Porque é que quando o Quarteto Fantástico está a tentar salvar o mundo, não aparece o Super-Homem para ajudar? Ou quando o Batman combate o crime, não aparece o Hulk? E o Homem Aranha, porque é que não se junta ao Flash? Do Fantasma não vou falar, porque esse não conta, já que só com duas pistolitas, de super herói só mesmo a fatiota à roto. E mais, se ele veste de vermelho, Fantasma porquê? É que vermelho, sem utilidade, só aparece às vezes e quase nenhum homem gosta dele, bem podia chamar-se O Menstruação Fantástico.
É certo que os gajos do Quarteto Fantástico têm poderes porreiros, mas não sei se não devem ser incluídos na velha lista dos "Super-Heróis mais estranhos". Claro que nunca destronarão o clássico Fantasma, que é sem dúvida o pior super-herói da história. Já na velha Damaia o sentimento de injustiça começa a levantar-se: "Dread, duas pistolas tem o people todo daqui e ninguém nos chama de super herói."
É cansativo, mas alguém tem que denunciar isto ao mundo. Ao mundo, bom, à Europa, vá...
E sim, levaste-me às lágrimas... e ao antigamente dos smiles dos herois...
E continua valer a pena passar aqui só porque sim, só porque acredito que vou ter uma surpresa!
Bjs Mts
Afixado por: Pê em setembro 5, 2007 03:10 PM